O professor e
professora perderam a autoridade desde quando se
deixaram chamar de "tios e tias", resultando na
desqualificação total da profissão.
Quem inventou esse tipo de tratamento deve ter pensado
em chantagem emocional, entendendo que, ser "tia"
mereceria mais respeito que ser pessoa, ser humano ou,
ainda, que esse seria um recurso de autoridade
pedagógica. Ao mesmo tempo em que há o exagero da
afetividade, conjuga-se à pieguice esse "grau de
parentesco", denotando uma responsabilidade com o "ser
familiar" e não com o ser social. Entre outros
fatores, tal característica tem contribuído para a
míngua da autoridade profissional há, pelo menos, 3
décadas.
É verdade que os tempos e os valores são outros e o
relacionamento professor-aluno precisa ser revisto,
considerando que, o professor(a) é autoridade maior em
sala de aula e, se deixou rebaixar pela própria
negligência do "familiarismo" - a prática pedagógica
se tornou teoria; a teoria ficou no discurso e, se
perdeu no vazio. Nesse ponto, TAMBÉM, a educação do
país se estagnou. Os alunos acabaram superando seus
"mestres". O que se revela sensível e amplamente no
cenário corrente da sociedade brasileira.
A ditadura acabou há mais de 30 anos e os professores
ainda estão nela no sentido de se reprimirem, de se
fecharem para o avanço tecnológico, procurando algum
culpado pelo resultado desastroso do fracasso escolar
e do analfabetismo social, arraigado no comodismo,
deixando que os alunos os ultrapassassem no
conhecimento. Com a defasagem contextual do
"profissional do saber", o distanciamento entre
professor e aluno foi ocorrendo junto com o menosprezo
à educação. Se os professores têm "medo" do
computador, o jovem vai falar sobre o quê na escola -
se tudo no mundo contemporâneo gira em volta da "high
technology"?
Evidentemente, que essa disparidade educacional se
torna entediante, desgastante, desmotivadora para o
jovem moderno, dinâmico e irreverente - o que não dá
direito a agressões de nenhum tipo mas, dá direito à
indignação e a um certo saudosismo do tempo em que ser
mestra era um prazer tanto para o profissional quanto
para o aluno que a tinha e a respeitava. Hoje, é causa
de constrangimento; chega a ser motivo de pena e
humilhação, justamente pela indolência e descaso da
maioria da categoria que apenas fazem greve por
melhores salários, mas nunca por uma educação de
qualidade.
A responsabilidade social é de todos (alunos, pais,
autoridades gov, professores e educadores em geral):
100% de cada, em seus respectivos papéis.
Airaê Soares de Souza
- Direitos autorais reservados, lei 9610/98.
Veja aqui: "Ser tia, uma
opção salarial">>
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