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EDITORIAL

 

:: Em prol de uma educação de qualidade

:: OPINIÃO ::

.: Familiarismo na educação escolar 24 de Outubro de 2006.

 

O professor e professora perderam a autoridade desde quando se deixaram chamar de "tios e tias", resultando na  desqualificação total da profissão.

Quem inventou esse tipo de tratamento deve ter pensado em chantagem emocional, entendendo que, ser "tia" mereceria mais respeito que ser pessoa, ser humano ou, ainda, que esse seria um recurso de autoridade pedagógica. Ao mesmo tempo em que há o exagero da afetividade,  conjuga-se à pieguice esse "grau de parentesco", denotando uma responsabilidade com o "ser familiar" e não com o ser social. Entre outros fatores, tal característica tem contribuído para a míngua da autoridade profissional há, pelo menos, 3 décadas.

É verdade que os tempos e os valores são outros e o relacionamento professor-aluno precisa ser revisto, considerando que, o professor(a) é autoridade maior em sala de aula e, se deixou rebaixar pela própria negligência do "familiarismo" - a prática pedagógica se tornou teoria; a teoria ficou no discurso e, se perdeu no vazio. Nesse ponto, TAMBÉM, a educação do país se estagnou. Os alunos acabaram superando seus "mestres". O que se revela sensível e amplamente no cenário corrente da sociedade brasileira.

A ditadura acabou há mais de 30 anos e os professores ainda estão nela no sentido de se reprimirem, de se fecharem para o avanço tecnológico, procurando algum culpado pelo resultado desastroso do fracasso escolar e do analfabetismo social, arraigado no comodismo, deixando que os alunos os ultrapassassem no conhecimento. Com a defasagem contextual do "profissional do saber", o distanciamento entre professor e aluno foi ocorrendo junto com o menosprezo à educação. Se os professores têm "medo" do computador, o jovem vai falar sobre o quê na escola - se tudo no mundo contemporâneo gira em volta da "high technology"?

Evidentemente, que essa disparidade educacional se torna entediante, desgastante, desmotivadora para o jovem moderno, dinâmico e irreverente - o que não dá direito a agressões de nenhum tipo mas, dá direito à indignação e a um certo saudosismo do tempo em que ser mestra era um prazer tanto para o profissional quanto para o aluno que a tinha e a respeitava. Hoje, é causa de constrangimento; chega a ser motivo de pena e humilhação, justamente pela indolência e descaso da maioria da categoria que apenas fazem greve por melhores salários, mas nunca por uma educação de qualidade.

A responsabilidade social é de todos (alunos, pais, autoridades gov, professores e educadores em geral): 100% de cada, em seus respectivos papéis.

 

Airaê Soares de Souza - Direitos autorais reservados, lei 9610/98.

Veja aqui:  "Ser tia, uma opção salarial">>

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Outubro de 2006