Nossa essência está em
segundo plano porque temos que seguir
regras e leis impostas pelo ambiente em
que vivemos. Construímos posturas que
agradam a outros - ou seremos
marginalizados. Sendo assim, a
oportunidade de expansão e
exteriorização do nosso eu está nos
jogos e brincadeiras lúdicas. Na questão
da disciplina, nota-se a importância das
brincadeiras infantis e dos jogos que as
crianças utilizam supervisionados por
adultos - ferramentas cujas regras
imitam e nos preparam para a vida real,
ditando disciplina e ordem. Se brincar é
dramatizar uma situação, então, os jogos
lúdicos também devem fazer parte do
lazer do adulto.
Entende-se que
brincar não é somente um meio lúdico infantil mas, do
ser humano em si, pois, a todo momento estamos
tentando novas descobertas e necessitamos de
preparação através do lúdico. Alguns indivíduos não
estão preparados para enfrentá-las porque simplesmente
não têm lazer - não jogam, não brincam, se sentem
ridículo ao acompanhar o filho naqueles “brinquedinhos
infantis” - não enfrentam situações de ludicidade e
descontração que serão transformadas em aprendizagem e
conhecimento numa ocasião adequada.
O brincar não pode
portanto ser considerado uma atividade complementar a
outras, mas uma atividade primordial para a construção
da identidade cultural e da personalidade*.
O lúdico é um
processo contínuo e graduado de conformidade com a
faixa etária. O brinquedo ou o jogo pode ser o mesmo,
mas objetivo pode variar porque deve atingir a
essência e a necessidade de cada indivíduo. As
dinâmicas em grupo não deixam de ser um tipo de jogo
ou brincadeira para adultos auxiliares do
auto-conhecimento também. O brincar constrói pessoas e
cidadãos e auxilia na estruturação de momentos
decisivos de todo ser humano. Por isso, brincar é
muito importante na fase infantil. A partir dessa
fase, vem a renovação e manutenção, revalidação das
regras e ordem já entendidas.
Airaê Soares de Souza
- Direitos autorais reservados, lei 9610/98.
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